Do
ponto de vista psicológico, Síndrome de Estocolmo é o nome dado a um estado
particular em que uma pessoa, submetida a um tempo prolongado de humilhação,
agressão, exploração - e todo e qualquer tipo de intimidação - passa a ter
simpatia e até mesmo sentimento de amor ou amizade por seu algoz.
No prisma político, os termos esquerda e direita apareceram durante a revolução francesa. Os membros da assembléia nacional se dividiam entre os que estavam a favor do rei à direita do presidente e os que defendiam as necessidades básicas do povo à esquerda.
No prisma político, os termos esquerda e direita apareceram durante a revolução francesa. Os membros da assembléia nacional se dividiam entre os que estavam a favor do rei à direita do presidente e os que defendiam as necessidades básicas do povo à esquerda.
Isto
posto, podemos afirmar que ser de esquerda, ontem, hoje e sempre é defender o
lado dos menos favorecidos, discordar da exclusão social, ficar indignado com
toda forma de preconceito, de injustiças e lutar contra as desigualdades.
Por
outro lado, ser de direita é estar do lado das classes dominantes, portanto,
tolerar injustiças, aceitar que o mercado está acima da vida humana, encarar a
miséria como algo inevitável, julgar que existem sim, pessoas e povos
superiores a outros.
Chegamos portanto, no ponto que dá título a esse texto: O que seria a Síndrome de
Estocolmo Política?!
Bem,
todos nós conhecemos pessoas (e não são poucas) que mesmo estando em condições
de pobreza e/ou exploração por parte de seus patrões e senhorio,dizem ser politicamente
de direita. Devemos salientar, que foi a esquerda (ou através dela) que
surgiram as leis trabalhistas, redução de jornada de trabalho, participação
feminina mais efetiva na sociedade, entre outros itens que só vieram beneficiar
o lado mais fraco da pirâmide social.
Ora, portanto, ser um pobre de direita não faz o menor sentido, estar do
lado dos interesses das classes dominantes só pode caracterizar um truque da
psique, para que ele, como vítima possa suportar situações de humilhação e exploração
e ainda ter o afeto por seu agressor.
O pobre de direita, começa a identificar-se com seu algoz, como mecanismo
de defesa e por medo.
Vale lembrar que todo o processo (que muitas vezes leva uma vida
inteira) ocorre sem que a vítima tenha consciência disso.
Mas você, esse broto antenado que lê este texto neste momento usando o
Wifi no ipad enquanto consome seu Tall
Latte da Starbucks, não tem nada
com isso não é mesmo? Você se sente inebriado pela imagética européia das
campanhas publicitárias e o padrão de consumo estado-unidense: Você preza pelo look do momento que você adquiriu lendo
efusivamente as bíblias trend setters
da humanidade: Bye bye Marlu Modas. Hello, Forever
21. Lanche, claro, é coisa para desavisado: Você consome um snack gourmet
no food truck mais próximo, enquanto lê reportagens sobre as barganhas incríveis
que se podem adquirir nas suas próximas (e sonhadas) férias na Disneyworld:
abrigos esportivos fabricados no Camboja por seis dólares! Como você se sente
esperto: Sem ter dado um passo, você se
tornou 'um cidadão do mundo', muito mais
civilizado, antenado, descolado - que maravilha!
Até que um dia você, através da sua Samsung
Experience rigorosamente paga em 12 prestações mensais no Magazine Luisa,
assiste, na sala de seu loft, a uma reportagem que afirma que o seu país
(aquele lá, da Marlu Modas) é a sexta maior economia do mundo e que, por isso,
o PIB brasileiro per capta é de USD$4000,00. E olha que os 'especialistas'
consideram esse número baixo.
Quatro mil doletas- você pensa- mais ou menos 10.000,00 reais. Por
pessoa. No país da Marlu modas (isso deve estar errado...). e então você faz
muito rapidamente as contas e percebe que seus muito suados R$4.000,00 mensais
(conseguidos arduamente depois duas graduações e um MBA business que lhe custou
os rins) equivalem a 1.600,00 dólares ou 9,09 por hora. Neste momento,
queridão, você percebe que toda sua esperteza de 'cidadão do mundo' lhe rende
menos que um salário mínimo norte-americano.
Você se sente meio besta, meio desajeitado. Lembra do zum zum zum geral
na confraternização de fim de ano da
empresa (multinacional, que você trabalha) causado pela afirmação do seu chefe,
meio bêbado, dando em cima da mulher do RH, dizendo que casa dele na praia de Maranduba tem 14 suítes. Mas ah! Isso é coisa do
câmbio. E tem mais: É tudo culpa do PT. Não sei bem o que é, mas é tudo culpa
do PT.
Você, trabalhador de classe média assalariada, bem treinadinho pelas 44
horas de publicidade semanais engolidas a tapa, sente-se obrigado a consumir o
que não precisa para se encaixar na sociedade de consumo. Discutir salário mínimo
é coisa pra pobre. E petralha. Nós, seres iluminados por um spot light estrategicamente colocado em nossas
varandas gourmets, queremos consumir abrigos
esportivos em grandes cadeias de varejo por seis dólares em nossas férias
na Disney e comprar uma Samsung
Experience em doze prestações. Nós somos antenados. Descolados. Cidadãos do
mundo. Temos que ter a última novidade antes daquele cunhado que se esfalfou todo
com o carrão novo no último natal. Ele também não discute salário mínimo. Ele é
esperto.
Portanto meus caros, acabamos de lhes apresentar a Síndrome de Estocolmo Política.
Carlos de La Parra e Christina Zaccarelli
